terça-feira, maio 29, 2007

Sem lei nem Rei, me vi arremessado
Bem menino, a um Planalto Pedregoso
Cambaleando, cego, ao sol do acaso
Vi o mundo surgir, tigre maldoso
O cantar do sertão, rifle apontado,
Vinha malhar seu corpo furioso
Era o canto demente, sufocado,
Surgido nos caminhos sem repouso
E veio o sonho: e foi despedaçado!
E veio o sangue: o marco iluminado
A luta extraviada e a minha grei!
Tudo apontava o Sol! fiquei embaixo
Na cadeia em que estive
e em que me acho
A sonhar e a cantar
Sem lei nem Rei!

(Maximiano Campos)

segunda-feira, março 05, 2007

Conjuração de Sábado

"Que todo aquele que desrespeitar a integridade deste instrumento, procurar ou conseguir possuí-lo ilicitamente, ou que dele fizer comentários difamatórios, construir ou tentar construir uma cópia sua, não sendo seu legítimo criador, enfim, que não se mantiver na condição de mero observador submisso em relação ao mesmo, seja perseguido pelas forças do Mal até que a elas pertença total e eternamente. E que o instrumento retorne intacto a seu legítimo possuidor, indicado por aquele que o construiu".


"Conjuração do Sábado" gravada em uma placa banhada a ouro na parte traseira da guitarra de Sergio (a guitarra de ouro), criada por seu irmão Claudio Cesar .

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Vida Que Deus me empresta.

Vida que Deus me deu.

Dádiva minha chamar de vida

Experiência ímpar de ser só eu.

(Carlos Romero)

terça-feira, janeiro 23, 2007

Nós que aqui estamos, por vós esperamos.














O sepultamento é o último evento social de um ser humano. Talvez, por esse motivo, a atmosfera dos cemitérios permaneça tão inerte, estática. Existem muitos fragmentos temporais congelados naquela limitada propriedade. O último ato de milhares de pessoas cristaliza-se , como uma vitrine de boutique ou um museu de cera. Visitando cada túmulo, cada sepultura, chega a ser quase possível sentir aqueles momentos gravados no ambiente, assim como as inscrições e epitáfios estão impressos nas placas de mármore. Por outro lado, o profundo sentimento daqueles que choram a perda de seus entes queridos também permanece presente em vastas proporções . A cada passo, nota-se a melancolia e as lágrimas derramadas há décadas. Um lamento contagioso que provoca vazio, dor e nostalgia. Os viciados na química gerada pela tristeza, encontram nos cemitérios um farto reservatório de possibilidades.

terça-feira, janeiro 16, 2007

LOOP

Viva à prestação.

Some milhagens
Para sair do óbvio.

Mastigue o vidro
Dos tubos de TV.

Desafie o óbito.

Perca o dia
por não ser herói

Ou com a calamidade
do bairro.

Preencha as angústias
Com sexo.

Sonhe com o passado.

E com as rotinas de fim
De Semana.

Vista sua armadura,
Caia na noite.

Conheça o mundo.

Descubra que no Japão vivem
todos os seus vizinhos.

Conclua que nem todos os
Homens inventaram a
Penicilina.

Acorde, trabalhe, coma, durma.

Retroceda o filme.
Comece o dia outra vez.

Carlos Romero

quinta-feira, janeiro 11, 2007

“Tenho lido os filósofos. São uns caras realmente estranhos, engraçados e loucos. Jogadores. Decartes veio e disse: é pura bobagem o que esses caras estão falando. Disse que a matemática era o modelo da verdade absoluta e óbvia. Mecanismo. Então, Hume veio com seu ataque à validade do conhecimento científico causal. E depois veio Kierkegaard: “Enfio meu dedo na existência – não tem cheiro de nada. Onde estou?”. E depois veio Sartre, que sustentava que a existência é absurda. Adoro esses caras. Embalam o mundo. Será que tinham dor de cabeça por pensar dessa forma? Será que uma torrente de escuridão rugia entre seus dentes? Quando você pega homens como esses e os compara aos homens que vejo caminhando nas ruas ou comendo cafés ou aparecendo na tela da TV, a diferença é tão grande que alguma coisa se contorce dentro de mim, me chutando as tripas.”

Charles Bukowiski

sexta-feira, janeiro 05, 2007


5.jan.2007

Garoto chora ao deixar sua casa que
desabou em Nuotang, China.