Nós que aqui estamos, por vós esperamos.

O sepultamento é o último evento social de um ser humano. Talvez, por esse motivo, a atmosfera dos cemitérios permaneça tão inerte, estática. Existem muitos fragmentos temporais congelados naquela limitada propriedade. O último ato de milhares de pessoas cristaliza-se , como uma vitrine de boutique ou um museu de cera. Visitando cada túmulo, cada sepultura, chega a ser quase possível sentir aqueles momentos gravados no ambiente, assim como as inscrições e epitáfios estão impressos nas placas de mármore. Por outro lado, o profundo sentimento daqueles que choram a perda de seus entes queridos também permanece presente em vastas proporções . A cada passo, nota-se a melancolia e as lágrimas derramadas há décadas. Um lamento contagioso que provoca vazio, dor e nostalgia. Os viciados na química gerada pela tristeza, encontram nos cemitérios um farto reservatório de possibilidades.

