terça-feira, janeiro 23, 2007

Nós que aqui estamos, por vós esperamos.














O sepultamento é o último evento social de um ser humano. Talvez, por esse motivo, a atmosfera dos cemitérios permaneça tão inerte, estática. Existem muitos fragmentos temporais congelados naquela limitada propriedade. O último ato de milhares de pessoas cristaliza-se , como uma vitrine de boutique ou um museu de cera. Visitando cada túmulo, cada sepultura, chega a ser quase possível sentir aqueles momentos gravados no ambiente, assim como as inscrições e epitáfios estão impressos nas placas de mármore. Por outro lado, o profundo sentimento daqueles que choram a perda de seus entes queridos também permanece presente em vastas proporções . A cada passo, nota-se a melancolia e as lágrimas derramadas há décadas. Um lamento contagioso que provoca vazio, dor e nostalgia. Os viciados na química gerada pela tristeza, encontram nos cemitérios um farto reservatório de possibilidades.

terça-feira, janeiro 16, 2007

LOOP

Viva à prestação.

Some milhagens
Para sair do óbvio.

Mastigue o vidro
Dos tubos de TV.

Desafie o óbito.

Perca o dia
por não ser herói

Ou com a calamidade
do bairro.

Preencha as angústias
Com sexo.

Sonhe com o passado.

E com as rotinas de fim
De Semana.

Vista sua armadura,
Caia na noite.

Conheça o mundo.

Descubra que no Japão vivem
todos os seus vizinhos.

Conclua que nem todos os
Homens inventaram a
Penicilina.

Acorde, trabalhe, coma, durma.

Retroceda o filme.
Comece o dia outra vez.

Carlos Romero

quinta-feira, janeiro 11, 2007

“Tenho lido os filósofos. São uns caras realmente estranhos, engraçados e loucos. Jogadores. Decartes veio e disse: é pura bobagem o que esses caras estão falando. Disse que a matemática era o modelo da verdade absoluta e óbvia. Mecanismo. Então, Hume veio com seu ataque à validade do conhecimento científico causal. E depois veio Kierkegaard: “Enfio meu dedo na existência – não tem cheiro de nada. Onde estou?”. E depois veio Sartre, que sustentava que a existência é absurda. Adoro esses caras. Embalam o mundo. Será que tinham dor de cabeça por pensar dessa forma? Será que uma torrente de escuridão rugia entre seus dentes? Quando você pega homens como esses e os compara aos homens que vejo caminhando nas ruas ou comendo cafés ou aparecendo na tela da TV, a diferença é tão grande que alguma coisa se contorce dentro de mim, me chutando as tripas.”

Charles Bukowiski

sexta-feira, janeiro 05, 2007


5.jan.2007

Garoto chora ao deixar sua casa que
desabou em Nuotang, China.